sexta-feira, 1 de março de 2013

25 anos da União Recreativa do Cadafaz 1962-1987

 1979 -1980

 Com as obras dos arruamentos na sua fase final e perante a impossibilidade de continuação na direcção da União do seu presidente, vem a ser eleito para o lugar o vice-presidente – Engº Carlos Manuel Martins, elemento que tinha presidido durante alguns anos a Secção Juvenil e que estava integrado das actividades em curso.
  Concluíram-se as obras da 1ª fase de Beneficiação dos Arruamentos, foi elaborado um projecto para a 2ª fase e solicitada a sua aprovação e comparticipação através da Direcção-Geral do Equipamento Rural e Urbano.
  Entretanto a institucionalização do Poder Local é regulamentada, são atribuídas verbas às autarquias através da Lei das Finanças Locais, são descentralizadas funções da Administração Central através de Lei das Atribuições e Competências e vive-se um período de redefinição de objectivos, por parte dos órgãos do Poder Local democraticamente eleitos e a uma componente de expectativa por parte das Direcções-Gerais e Ministérios no que diz respeito à definição clara das áreas de intervenção.
  É neste clima que a comparticipação da 2ª fase dos arruamentos vai sendo protelada, apesar dos contactos que são desenvolvidos com vista à obtenção da necessária verba para continuidade dos trabalhos.
  A Casa do Concelho de Góis atravessa um período menos bom, e muitas são as vezes em que não se podem realizar reuniões ou se ficam por uma conversa na leitaria da zona.
  Os jovens cadafazenses, membros da 2ª geração de oriundos da aldeia, vão sofrer as consequência da ausência de uma política coerente de desenvolvimento e à medida que constituem família são empurrados para a periferia de Lisboa, perdendo no essencial os contactos com a sua comunidade e encontrando outras solicitações e outras formas de participação na vida social, que resultaram das transformações operadas com o 25 de Abril - partidos políticos, sindicatos, comissões de trabalhadores, comissões de pais, autarcas.
  A divulgação das actividades da colectividade é negativa e manifestamente influenciada pela dispersão geográfica, pelo agravar dos custos das comunicações e pela manutenção de quotas em valores que a inflação tornou ridículos.
  A União, promove em Cadafaz a realização do almoço de convívio das Colectividades da Freguesia de Cadafaz, iniciativa que se desejava fosse organizada rotativamente por todas as colectividades, mas que apenas é seguida pela Comissão de Melhoramento da Cabreira no ano seguinte.


União Recreativa do Cadafaz, 25 anos da União Recreativa do Cadafaz 1962-1987, Lisboa, 1987

sábado, 23 de fevereiro de 2013

25 anos da União Recreativa do Cadafaz 1962-1987

1976 -1978

  Natural portanto que venha a ser o Engº Armindo Simões Nunes eleito para a presidência, dados os seus antecedentes associativos e o facto da sua qualidade de técnico dar garantias de um competente acompanhamento das obras de Beneficiação de Arruamento de Cadafaz.
  O processo veio a conhecer a sua fase derradeira como início dos trabalhos a decorrer em simultâneo com a renovação da Rede de Abastecimento de Água à povoação.

  As realizações de carácter tradicional, piquenique e almoço são mantidos, mas o entusiasmo dos cadafazenses vai arrefecendo, assistindo-se a um decréscimo de participação, a Secção Juvenil vê integrados nos Corpos Gerentes os seus elementos mais activos e perde capacidade de iniciativa, a Comissão de Dinamização Recreativa e Desportiva em Cadafaz que havia tido um bom conjunto de iniciativas, nomeadamente a construção de um Campo de Jogos, desagrega-se, a intensa vida profissional do presidente da direcção faz com que a actividade fique centrada nas obras dos arruamentos.


União Recreativa do Cadafaz, 25 anos da União Recreativa do Cadafaz 1962-1987, Lisboa, 1987

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

25 anos da União Recreativa do Cadafaz 1962-1987

  1972 – 1975

 É num clima de grande entusiasmo, que em 1972 o associado António Baptista de Almeida assume a presidência, integrado num elenco directivo mais jovem, em que a possível falta de experiência no movimento regionalista, foi largamente compensada pelo entusiasmo e capacidade de iniciativa de quem deram mostras.
  Porém, cedo esta direcção se deparou com o primeiro revés; no cumprimento do serviço militar, o vice-presidente Armindo de Almeida Alves vem a ser vítima de um trágico e fatal acidente. A dedicação à colectividade, o conhecimento que detinha sobre os assuntos, aliados à sua juventude e inteligência tornavam-no um elemento preponderante na vida da União à qual estava ligado desde a fundação.
  O jovem Vitor Manuel Pimenta Gaspar, ocupa a vice-presidência e tem a tarefa de enquadrar os jovens do Cadafaz nos objectivos da colectividade.
  Em 1973 a juventude está organizada na Secção Juvenil e com a irreverência própria dos jovens vai promover actividades inéditas na tradição do movimento regionalista: o teatro, cinema, actividades desportivas (xadrez, damas, futebol, andebol e campismo) e avança na publicação de um Boletim Informativo – UNIDADE –, onde naturalmente proporcionam alguma polémica, pois os seus promotores eram jovens e alguns leitores menos sensíveis à compreensão destes fenómenos de conflitos de gerações.
  São os jovens da Secção Juvenil que na Casa da Comarca de Arganil promoveram reuniões entre as comissões de juventude das colectividades (Cadafaz, Colmeal, Cortes, Porto Castanheiro, Monte frio, Ribeira Celavisa, Roda Fundeira) com o objectivo de criar um órgão colegial que na altura se chegou a pensar ser a União da Juventude da Comarca de Arganil, estrutura que nunca viria a encontrar forma de materializar os seus objectivos mas que permitiu uma troca de experiências e nalguns casos de colaboração inter-colectividades que se revelaram positivas.
  Ao mesmo tempo a direcção reorganizava e modernizava todo o sistema administrativo e dava passos significativos no processo dos arruamentos.
  Promoveram-se obras tendentes a servir de apoio à realização do piquenique na Boiça, em Cadafaz.
  O 25 de Abril de 1974, e as transformações sociais e políticas que são operadas no país, criam um clima de euforia e de grande participação popular em todos os órgãos colectivos, manifestação que se reflecte também na União e no Cadafaz.


  No Cadafaz vem ser constituída uma Comissão de Moradores e por iniciativa dos mais jovens um movimento visando uma actividade promotora de acções desportivas e culturais. Este movimento nasce fora da área de intervenção da colectividade, no entanto a vontade de manter unidos os cadafazenses permitiu a sua integração nos órgãos da União sob a designação de Comissão de Dinamização Recreativa e Desportiva.
  O velho sonho dos cadafazenses e da colectividade da criação de uma Casa de Recreio vem a concretizar-se com a aquisição pela União da antiga Escola Primária de Cadafaz.
  Assiste-se a uma dinâmica extraordinária e a um grande incremento da actividade associativa; em Lisboa e Cadafaz o ritmo das realizações é intenso. A Casa de Recreio é equipada com uma aparelhagem, televisão, mesas, cadeiras, jogos.
  Os piqueniques, almoços e excursões contam sempre com elevada participação, resultado deste estado de espírito e também da melhoria significativa do poder económico das populações, face aos aumentos dos salários e das reformas.
  A União vem a suportar a comparticipação dos trabalhos de reforço do sistema de iluminação pública, processo que a colectividade havia desencadeado junto dos órgãos competentes.
  Criam-se novos objectivos: beneficiação da Casa de Recreio, acessos ao Moinho Eléctrico, alargamento do largo de Stº António.
  O desencadear das acções tendentes à beneficiação das instalações da Casa de Recreio, nomeadamente a construção de balneários, vem a estar na base de algumas incompreensões das quais resultou o afastamento dos órgãos sociais da colectividade do Sr. António Baptista de Almeida.
  O projecto de beneficiação de arruamentos de Cadafaz entretanto aprovado e comparticipado pela Administração Central e posta a Concurso Público a respectiva empreitada, coloca a necessidade de garantir a continuidade do trabalho, e de encontrar nova equipa directiva, face à recusa do seu presidente em assumir mais mandatos.

Acampamento na Boiça - Secção Juvenil

União Recreativa do Cadafaz, 25 anos da União Recreativa do Cadafaz 1962-1987, Lisboa, 1987

sábado, 2 de fevereiro de 2013

25 anos da União Recreativa do Cadafaz 1962-1987

 1970 -1971

  A continuidade directiva é garantida com a eleição de Guilherme dos Santos Simões Vicente para a presidência da colectividade. O facto de desde há alguns anos vir a desempenhar as funções de vice-presidente aliado ao grande bairrismo e dedicação deste cadafazense permitem avançar na concretização dos objectivos da colectividade: o moinho eléctrico e o processo de Beneficiação e Reparação de Arruamentos em Cadafaz.
  Portugal está num processo de alterações políticas, resultantes da morte do Prof. Oliveira Salazar e nomeação do Prof. Marcelo Caetano para Presidente do Conselho. O facto deste, ser oriundo da nossa região, ligado familiarmente ao Concelho de Góis, criou a esperança de melhores dias para as populações esquecidas da Beira-Serra. Mas as dificuldades continuaram, as obras continuaram a primar pela ausência, talvez os jogos de influências e conhecimentos tenham melhorado um pouco, talvez a obra dos arruamentos beneficie desta situação.
  A construção do moinho eléctrico vai avançar, mas pelo caminho ainda ficam reflexos das limitações políticas que se colocam às colectividades, pois chega a ter uma Assembleia Geral para se proceder a alterações aos Estatutos, pois os que vigoravam, foram pretexto para o Governo impedir a acção de carácter social, e vão manter-se durante muitos anos situações complicadas, como a titularidade do próprio património construído e instalado.
  Os jovens, sobretudo os filhos dos Corpos Gerentes, contagiados com o contacto que iam tendo dos assuntos da União, esboçavam vontade em participar nos destinos da colectividade.







União Recreativa do Cadafaz, 25 anos da União Recreativa do Cadafaz 1962-1987, Lisboa, 1987




domingo, 27 de janeiro de 2013

25 anos da União Recreativa do Cadafaz 1962-1987

 1966 – 1969

  A União vai reforçando o seu papel aglutinador de boas vontades, conseguindo alargar a sua implantação junto dos cadafazenses, mercê da capacidade de realização demonstrada.
  O jovem engenheiro Armindo Simões Nunes, que se destacara como Secretário da Assembleia Geral, vem a ser eleito presidente da direcção, dando continuidade ao trabalho que vinha sendo desenvolvido.
  Foi por ele elaborado e oferecido à colectividade o projecto da Casa de Recreio, obra que vai ser posta a Concurso Público em Janeiro de 1967. O custo dos trabalhos, ultrapassa largamento as capacidades financeiras da União e a obra é protelada no tempo.
  É ainda a União que dinamiza a constituição de uma Comissão para a Campanha de Restauração da Capela de Stº António.
  Em Junho de 1967 o vice-presidente Bladmiro da Cruz Carneiro, pede a demissão em resultado da sua imigração para os Estados Unidos da América, a colectividade vai perder o contributo de um grande entusiasta, que mesmo longe vai enviar roupas para distribuir pela gente mais necessitada de Cadafaz.
  A realização anual do piquenique em Lisboa, levou a direcção a proceder à compra de uma Aparelhagem Sonora, evitando os custos de aluguer.
  Para evitar as caminhadas ao rio e procurando tirar partido das novas possibilidades criadas com a inauguração da electricidade, tem início o processo de construção de um moínho eléctrico em Cadafaz.
  Os objectivos vão sendo alcançados, a colectividade consegue realizar em curto período de tempo, uma obra importante para as populações locais e atinge prestígio no seio do movimento regionalista. No entanto todo este trabalho é mercado com muitas reuniões, deslocações, tempo retirado ao ambiente familiar, com custos financeiros significativos para os directores e o que é pior com incompreensões e críticas perfeitamente desajustadas. Depois de 4 anos à frente dos destinos da União o Engº Armindo Simões Nunes decide retirar-se.



União Recreativa do Cadafaz, 25 anos da União Recreativa do Cadafaz 1962-1987, Lisboa, 1987

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

25 anos da União Recreativa do Cadafaz 1962-1987

 1963 - 1965

 No dia 20 de Janeiro de 1963, tem lugar um almoço de confraternização e apresentação da Bandeira da colectividade, a qual foi custeada por subscrição pública promovida pela Comissão de Fundos da Bandeira constituída pelas senhoras: Maria da Luz Martins dos Santos, Belmira de Jesus Paulo e Maria Lopes Serra.
  Refira-se que foram angariados 4.461$50, que resultaram de 194 donativos que variam de 1$00 a 100$00.
  Em 17 de Agosto de 1963 a União promove em Cadafaz uma homenagem ao reverendo padre André Almeida Freire, pároco da freguesia de 1926 a 1958 e a benção da Carreta Funerária de tracção braçal para servir toda a população da freguesia de Cadafaz, realizando para o efeito uma excursão a Cadafaz de 15 a 19 de Agosto e organizou os festejos de 18 de Agosto, comemorativos das inaugurações da Rede de Abastecimento público de água e da estrada Cemitério-Stº António.
  Em 24 de Novembro de 1963, realiza-se o primeiro almoço comemorativo do aniversário da União Recreativa do Cadafaz, organização que congrega grande participação da massa associativa sendo por isso aproveitada para convívio e balanço da actividade desenvolvida, vai tornar-se uma acção tradicional da colectividade.
  A necessidade de articular as iniciativas da direcção, com a população de Cadafaz, Junta de Freguesia e Câmara Municipal conduziu à criação de uma delegação da União em Cadafaz, para cuja presidência foi eleito o sócio Guilherme Simões Alves, presidente de Junta de Freguesia de Cadafaz, o que permitiu assegurar bastanta sintonia de objectivos e um grande espírito de colaboração entre a colectividade e aquele órgão de Administração.
  Estamos em 1964, a população escolar de Cadafaz é significativa, as carências de material escolar são generalizadas, não existe qualquer apoio governamental com fins sociais, pelo que a União em estreita colaboração com a dedicada professora Arminda de Jesus Alves Martins vai promover, na época de Natal, a oferta de batas escolares, canetas, lápis, cadernos e borrachas a todos os alunos. Esta atitude vai repetir-se durante vários anos.
  Em 16 de Maio de 1965 tem lugar uma excursão aos 3 castelos com partida de Cacilhas (a ponte sobre o Tejo era ainda um sonho), que conta com grande participação dos cadafazenses.
  No dia 11 de Julho de 1965, em Algés, realiza-se o primeiro Piquenique da colectividade, espaço de convívio, divertimento e de angariação de fundos.
  É adquirido um terreno nas Piçarras para construção de uma Casa de Recreio.
  O processo de alargamento do Largo da Volta-do-Carro é desencadeado com grande dinâmica, e as boas vontades ultrapassam as incompreensões, tendo lugar no dia 28 de Agosto de 1965 a inauguração do Largo da União Recreativa do Cadafaz.
  A União Recreativa do Cadafaz colabora financeiramente no processo de electrificação das aldeias da freguesia de Cadafaz, fazendo a entrega de um donativo à Liga de Melhoramentos da Freguesia do Cadafaz que dinamizava o referido projecto.
  O governo em Portugal era na época extremamente autoritário e com um modelo de administração centralizado pelo que todas as decisões passavam pelo «Terreiro do Paço», as Câmaras e Juntas de Freguesia pouco faziam para além de processos burocráticos, sem qualquer componente executiva de sua própria iniciativa. As obras quando eram conseguidas, resultavam de um conjunto de andanças por Ministérios e Direcções-Gerais.
  A Guerra Colonial mantinha os jovens afastados das suas aldeias, da sua comunidade e muitas vezes de Portugal. Nomeadamente em Comissão de Serviço, a União vê partir o seu presidente – Américo Alves Martins – para o então Ultramar, os colegas de direcção promovem em conjunto com outras colectividades uma festa de despedida, mas perdem um dos elementos mais dinâmicos e experiente do movimento regionalista.

 













União Recreativa do Cadafaz, 25 anos da União Recreativa do Cadafaz 1962-1987, Lisboa, 1987